Centelha

O mercado de carros elétricos

Vendas

De acordo com dados da IEA (International Energy Agency, Agência Internacional de Energia), as vendas de carros elétricos atingiram 2,1 milhões em todo o mundo no ano de 2019, superando 2018, então um recorde – aumentando para 7,2 milhões de carros elétricos. Os carros elétricos representam 2,6% das vendas globais de carros e apenas (aproximadamente) 1% do total global de carros em 2019, representando um aumento de 40% em relação ao ano anterior.

Os veículos elétricos entraram comercialmente no mercado na primeira metade da década, com algo em torno de 17 mil veículos rodando nas ruas e estradas mundiais em 2010. Em 2019, chegamos à 7,2 milhões, sendo que 47% desses 7,2 milhões estão na China (cerca de 3.3 milhões). A Europa responde por 1,7 milhão (25%) e os E.U.A. com 1,5 milhões (20%). As vendas de 2,1 milhões de 2019 representam um aumento de 6% em relação ao ano anterior.

Total de veículos elétricos no mundo até 2019 (arte © Centelha). Fonte: IEA

Esses 6% estão abaixo do crescimento de vendas ano a ano, mas representam um aumento de 30% em relação ao ano de 2016. Algumas razões explicam esses números:

  1. O mercado de venda de automóveis contraiu. O volume total de vendas de automóveis caiu (2019) em muitos países-chave;
  2. Os principais mercados reduziram os subsídios para a compra de veículos elétricos. A China cortou os subsídios à metade em 2019. Nos E.U.A., o programa de crédito tributário terminou para as principais montadoras (Tesla e GM), esse crédito é aplicável até um limite de venda de 200 mil veículos por montadora. O corte chinês representou uma queda significativa nas vendas no segundo semestre de 2019, enquanto o corte americano representou uma queda de 10% em todo o ano. Isso afetou as vendas na China, Europa e E.U.A. que representam 90% das vendas globais e ofuscou o incrível aumento de 50% nas vendas na Europa em 2019, retardando essa tendência de alta;
  3. Expectativa, por parte dos consumidores, em relação as novas tecnologias. O perfil do(a) consumidor(a) de veículos elétricos vem mudando, no começo, os “early adopters” eram pessoas mais ligadas as novidades, novas tecnologias. Agora, virou um público de massa. A grande oferta de modelos, melhoria constante no desenvolvimento das tecnologias estimulam as decisões desses compradores. As montadoras anunciaram planos para lançarem mais 200 novos modelos* (muitos esperados para 2020 e 2021) e, com estes lançamentos, a incorporação de melhorias tecnológicas, que muitas vezes fazem com que o consumidor retarde a decisão de compra à espera destas melhorias. No caso dos veículos elétricos, essas melhorias são um fator com uma enorme força de decisão de compra. Para se ter uma ideia, as versões 2018/19 de alguns modelos comuns de carros elétricos possuem uma densidade de energia da bateria de 20 a 100% maior do que a de 2012. Sem falar nos custos da bateria, que diminuíram mais de 85% desde 2010. No caso do Tesla Model 3, que incorporou novas baterias, causaram um grande aumento nas vendas em 2018 (especialmente no mercado americano).

Tesla Model 3 – © TESLA

* A expectativa é de que, em 2022, existam mais de 500 modelos de carros elétricos disponíveis no mercado. Mesmo com toda a retração causada pela Covid-19, as montadoras estão acelerando seus planos de lançamento puxadas, em parte, por leis e regulamentos cada vez mais rigorosos na Europa e China. (Fonte: BloombergNEF – Bloomberg New Energy Finance)

A Noruega continua se destacando no cenário dos veículos elétricos. No primeiro semestre de 2020, 48% dos automóveis vendidos no país são totalmente elétricos, um recorde mundial. Entrando nessa conta os veículos híbridos, os números saltam para 69%, também um recorde. Esses números tornam a Noruega a líder global em vendas de carros elétricos per capita. O Tesla Model 3 é o best-seller com 3.760 unidades vendidas em junho, representando 24,5% de todos os carros vendidos durante este mês.

Covid-19

Nenhuma novidade em dizer que a pandemia está afetando e afetará todos os segmentos de mercado. Segundo a IEA, a previsão é de que o mercado global de veículos elétricos será menos afetado do que o mercado geral de automóveis de passageiros. Com base nos dados de vendas de carros de janeiro a abril de 2020, a estimativa atual da IEA é de que o mercado de automóveis de passageiros contrairá 15% ao longo do ano de 2020 em relação ao de 2019, enquanto a venda de veículos elétricos manterá o nível de 2019. Essas previsões estão muito sujeitas a alterações já que ainda não sabemos como serão as “segundas ondas” da pandemia nem como as montadoras darão seguimento as suas estratégias com relação as leis e regulamentos relacionados as emissões de CO2. De qualquer forma, estimam que as vendas de veículos elétricos representem cerca de 3% das vendas globais de veículos em 2020. Essas estimativas se baseiam nas políticas de apoio, em especial na China e Europa. A China anunciou em abril que os subsídios, que terminariam esse ano, foram prorrogados para 2022.

A participação de veículos elétricos no total de vendas

A porcentagem dos veículos elétricos no total de vendas ainda é pequena, mas sobe rapidamente, as projeções são de que, até 2040, mais da metade de todos os veículos de passageiros será elétrico. China e partes da Europa são os mercados que alcançam penetrações mais altas, em contrapartida, os mercados emergentes são os que “puxam” para baixo essa média. (Fonte: BloombergNEF – Bloomberg New Energy Finance)

Projeções para a participação de veículos elétricos no total de vendas (arte © Centelha). Fonte: BloombergNEF

Frota global de veículos

Mesmo com esse rápido crescimento, até 2030 teremos 1,4 bilhões de veículos de passageiros rodando. Nessa conta, os veículos elétricos representarão apenas 8%. Para 2040, a previsão é que essa porcentagem suba para 31%. (Fonte: BloombergNEF)

Projeções para a quantidade de veículos de passageiros rodando no mundo (arte © Centelha). Fonte: BloombergNEF

Infraestrutura de carga

Assim como encontramos postos de gasolina espalhados por todos os lados de uma cidade (embora em alguns lugares já existem leis que restringem a operação de postos de gasolinas em determinadas áreas), os veículos elétricos também demandam este tipo de infraestrutura para facilitar a vida dos usuários, aumentando a autonomia dos veículos. Dados dizem que a maior parte do carregamento é feita em casa mesmo ou no trabalho, mas a implantação desses postos acessíveis ao público está superando as vendas de veículos elétricos.

Fazendo uma livre analogia, assim como os sistemas operacionais dos computadores pessoais só “pegaram” com programas “matadores” (Bill Gates bem sabia disso com os seus programas do Office), os veículos elétricos ganham força com uma infraestrutura bem capilarizada e com um aumento da eficiência das baterias.

Essa infraestrutura de carga continua a se expandir. No ano de 2019, eram aproximadamente 7,3 milhões de carregadores espalhados mundo afora (nem precisa dizer que a maioria dos carregadores particulares está na China com 37% e os E.U.A. com 24%), sendo 6,5 milhões carregadores particulares, para veículos leves, instalados em residências, prédios com várias habitações e locais de trabalho. Essa prevalência da cobrança privada conta com fatores como a conveniência, uma relação de custo-benefício e uma grande variedade de políticas de apoio (como tarifas preferenciais, incentivo para a compra de carregadores além de descontos).

Quando falamos em carregadores em locais públicos, a China libera com larga folga, com 52%, os E.U.A. caem para 11%.

Ponto de recarga da Tesla. Imagem de Blomst por Pixabay – © PIXABAY

Mais vendidos em 2020

No primeiro trimestre de 2020, temos o seguinte ranking de mais vendidos (fonte: EV-Sales):

  • Tesla Model 3: em abril – 11.761, no trimestre – 85.523 unidades;
  • Renault Zoe: em abril – 2.118, no trimestre – 22.811 unidades;
  • Nissan Leaf: em abril – 1.603, no trimestre – 18.364 unidades;
  • Volkswagen e-Golf: em abril – 3.836, no trimestre – 15.143 unidades;
  • BMW 530e: em abril – 3.398, no trimestre – 13.753 unidades;
  • BYD Qin Pro EV: em abril – 5.096, no trimestre – 13.486 unidades.

Renault Zoe – © RENAULT

BYD Qin Pro EV – © BYQ

Enquanto isso por aqui…

No Brasil, infelizmente o segmento de veículos elétricos praticamente não existe. Dentre várias razões, podemos citar os altos valores (a alta do dólar piora tudo), para efeitos de comparação, o Renault Zoe citado acima, que é um carro na categoria popular, aqui no Brasil sai por (a partir de) R$ 147 mil!!! Para se ter uma ideia, o Renault Twig (o carro mais barato da Renault no Brasil), na sua versão mais barata (Life) com motor Flex, está disponível a partir de R$ 36.990.

Segundo números da ANFAVEA – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (compilados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico – ABVE), o total de veículos elétricos comercializados (incluindo híbridos) em todos os anos, foi de 30.092 unidades (veja mais detalhes no quadro abaixo). Para se ter uma ideia, esse número é um pouco mais do que um terço das vendas apenas do Tesla Model 3 que, apenas no primeiro trimestre de 2020, foi de cerca de 85 mil unidades. Vale ressaltar que o mês de junho de 2020 registrou o maior total de vendas de automóveis elétricos por mês desde 2012, com 1.334 unidades emplacadas. Sobre o mês anterior (junho), o aumento de 86% (de 716 para 1.334), sobre maio, de 121% (de 601 para 1.334).

Vendas/emplacamentos de veículos elétricos (VEs) no Brasil – 2012 a junho 2020. VEs – veículos elétricos puros (100% a bateria) + veículos híbridos plug-in e híbridos não plug-in. Autos e comerciais leves. Exclui ônibus, motos e levíssimos. Fonte: Anfavea/Renavam. Compilação: ABVE – Associação Brasileira do Veículo Elétrico

Híbridos no Brasil

Foi com o Prius (Toyota) que os modelos híbridos entraram no Brasil, isso em 2013. Naquele mesmo ano foram comercializadas 323 unidades. Segundo a montadora, depois de aproximadamente seis anos após a estreia, a Toyota já soma 14 mil veículos, sendo o Prius responsável por 6.836 unidades desse total. Desde 2019 contando também com o RAV4 e o Corolla, esse último com tecnologia híbrido flex (gasolina, etanol e eletricidade). A Toyota é a líder no mercado de híbridos no Brasil, que além dos modelos citados acima ainda conta com os modelos da Lexus (marca de luxo da Toyota).

Toyota Corolla Altis Hybrid Premium – © TOYOTA

Em pensar que o nosso mercado poderia ser um dos mais importantes nesse segmento elétrico! Lembram-se do Gurgel? Em 1974, João Conrado do Amaral Gurgel, fundador da montadora nacional Gurgel Motores S/A, apresentou o Itaipu E150 (um minicarro urbano de dois lugares) no Salão do Automóvel de São Paulo, o primeiro carro elétrico da América Latina, este modelo evoluiria depois para uma caminhonete elétrica, a E400, que viria a ser o primeiro veículo elétrico fabricado em série. Na imagem abaixo, o E150 na sua segunda versão, então com 13 baterias (a versão inicial possuía 10 baterias).

Gurgel Itaipu Elétrico E150. Foto: Marcelo Bezerra Cavalcanti. Licença Creative Commons – Attribution 3.0 Unported (CC BY 3.0) – https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/deed.en

FONTE(S):
IEA (2019), Global EV Outlook 2019, IEA, Paris https://www.iea.org/reports/global-ev-outlook-2019
BloombergNEF – The Electric Vehicle Outlook 2020

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