Centelha

Revoada – moda circular com câmaras de pneus e guarda-chuvas

A Revoada (de Porto Alegre) é uma marca de moda sustentável. Produz bolsas, acessórios e brindes corporativos, feitos com câmaras de pneus e tecidos de guarda-chuvas descartados. Também prestam consultoria (Design Vital) para empresas e indústrias “para repensar a geração de resíduos, criar eco produtos, reinventar os processos produtivos de forma circular e experienciar novas relações para um consumo mais consciente”. Os produtos oferecidos incluem jaquetas, carteiras, bolsas, pochetes, ecobags, bolsas de viagem e mochilas.

© REVOADA

A ideia da Revoada surgiu do encontro das sócias Adriana Tubino e Itiana Pasetti, ambas estavam trabalhando com moda de alguma forma. Itiana, trabalhando para uma grande indústria, criando coleções de produtos e estava bastante sensibilizada com o desperdício de materiais nesta indústria. Materiais que ainda poderiam ter uso estavam indo para o lixo. Adriana, com um estúdio de design, trabalhando com branding para marcas de moda, também se sentindo, mesmo que indiretamente, contribuindo para o consumo de produtos que não fazia ideia se estavam preocupados com a responsabilidade social. Dessa insatisfação mútua veio a pergunta: “Quem sabe é possível fazer produtos de uma forma mais sustentável?”

Mochila de câmara de pneu – © REVOADA

© REVOADA

No começo, ainda em paralelo com os trabalhos daquela época, iniciaram discussões, pesquisas, elaborando ideias para esses “produtos sustentáveis”. Até que em 2013 surgiu oficialmente a Revoada. Naquele momento, desenvolveram cinco produtos a partir de câmaras de pneu e tecido de guarda-chuvas que já tinham virado lixo. Esses produtos funcionaram como uma resposta para perguntas que elas se faziam como: “será que o lixo é o fim ou esse material (que tinha virado lixo) ainda poderia ser reaproveitado?”

Bolsa Retângulo, sacola Leva e Traz e mochila Gota – © REVOADA

A conclusão? O que estava no lixo ainda tinha/tem muito potencial de reaproveitamento. Encontraram na câmara de ar dos pneus um substituto para o couro e, no tecido do guarda-chuva, inicialmente utilizado como forro para os produtos e, posteriormente, como material para jaquetas. Resultado: o que estava no lixo era a principal fonte de matéria-prima, fonte criativa para os produtos da Revoada.

Bolsa de mão – © REVOADA

Economia Circular

O conceito da Revoada já era baseado na Economia Circular, mesmo antes das sócias saberem da existência desse termo. A Revoada compra as câmaras de pneus direto dos borracheiros, compra o tecido dos guarda-chuvas dos catadores, nas unidades de triagem de lixo seco. Desta forma, geram um impacto social bastante positivo (renda direta para as pessoas envolvidas). Materiais esses que, a princípio, não tinham/têm valor de mercado, que iriam direto para os aterros. Antes de entrarem no processo produtivo, são devidamente higienizados com um parceiro de lavagem industrial, que utiliza água da chuva nos seus processos, sabão biodegradável etc. A produção, propriamente dita, é feita com cooperativas de costureiras e pequenos ateliês familiares.

© REVOADA

© REVOADA

Os produtos levam uma tag que conta um pouco da história de como o produto foi feito, dos materiais utilizados e convidam os consumidores a fazerem parte da logística reversa dos produtos adquiridos, enviando-os (ao final da sua vida útil) de volta para a Revoada para serem reciclados. Anteriormente, doavam esses produtos para parceiros que utilizavam em subprodutos como asfalto, para-choque de automóveis e isolamento acústico. Atualmente, estão reintroduzindo os produtos feitos com câmaras de pneus, triturando-os para gerar novas chapas de borracha, enquanto a reciclagem dos tecidos dos guarda-chuvas está em fase de estudos/pesquisas para serem refiados e então, reutilizados na produção dos produtos da própria Revoada.

Brinde corporativo – © REVOADA

Design

Salientando que estão na contra mão da chamada Fast Fashion, Adriana (sócia e cofundadora da Revoada) cita a importância do design na empresa, da importância do up-cycling, onde materiais que, em teoria seriam lixo, são reintroduzidos no processo de produção. O design agrega valor aos materiais tornando-os competitivos frente aos produtos produzidos com materiais e processos tradicionais (muitas vezes sem preocupação social e/ou ecológica). O design, além do lado estético, tem papel fundamental no construtivo dos produtos, facilitando o seu processo de desmontagem e consequente reutilização e/ou reciclagem, representa “a inteligência no desenho do produto”.

Carteira de bolso – © REVOADA

Rentabilidade e inovação

A Revoada, como toda startup/pequena empresa, enfrenta as dificuldades em gerar escala. Escala de produção, escala de venda, elementos fundamentais na negociação com fornecedores para otimizar os custos em todo o processo produtivo. Mas, como salienta Adriana, a Revoada não “aperta” seus fornecedores (borracheiros, cooperativas etc.) e, mesmos assim, é uma empresa rentável e “em pé” há aproximadamente 7 anos.

Inovando não só nos produtos, mas na forma de vender também. Estão oferecendo a possibilidade de compra por lotes, são os “Lotes Especiais”. Funciona assim, os interessados se candidatam a comprar os produtos (fazendo um cadastro no site), ao abrir um lote, a Revoada entra em contato. Com esse modelo, é produzido apenas o que foi vendido e os envolvidos na produção são remunerados a cada lote fechado. Mais uma vez, sem desperdício.

Mini carteira – © REVOADA

Números

Seguem alguns números da Revoada:

  • 14 toneladas de câmaras reinventadas;
  • 13 mil unidades guarda-chuvas reinventados;
  • Mais de 300 famílias beneficiadas pela renda gerada;
  • Mais de 50 mil pessoas impactadas através dos produtos.

 

FONTE(S):

Revoada

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