Centelha

Solar Foods – proteínas retiradas do ar

Ficção científica? Científica, sim, ficção, parece que não.

Como já falamos no post da Fazenda Urbana, o aumento da população mundial não é nenhuma novidade, chegaremos a 9,7 bilhões em 2050 (segundo a ONU), atualmente (2020) estamos com aproximadamente 7,7 bilhões (que representa um aumento de 26%). Ou seja, será necessário aumentar e maximizar a produção de alimentos. Como se não bastasse, os alimentos são responsáveis por aproximadamente 26% das emissões globais de GEE (com base nos dados de 2018, da análise de Joseph Poore e Thomas Nemecek, publicada na Science). Segundo dados, também de 2018 da agência americana EPA (Environmental Protection Agency), nos EUA, cerca de 10% dos GEE provém da agricultura (incluindo a pecuária).

A Solar Foods é uma startup finlandesa de tecnologia de alimentos que desenvolve inovações para a produção de alimentos em nível global. Segundo divulgação da própria empresa, eles desenvolveram uma tecnologia que consegue produzir proteína do ar!

Crédito da foto: © SOLAR FOODS

Mas como?

O CEO da Solar Foods, Pasi Vainikka, e sua equipe tornaram isso possível. Estão produzindo um tipo totalmente novo de proteína sustentável que chamaram de “Solein”. Quais os ingredientes? CO2 e eletricidade. A ideia inicial veio através de uma cooperação entre a indústria de biotecnologia e a engenharia de energia, que os levou à esta descoberta inovadora para a criação de alimentos na forma de aminoácidos, açúcares, gorduras e vitaminas – sem a dependência da agricultura ou de condições climáticas.

Tecnicamente, Solein é uma proteína unicelular, produzida através do crescimento de um micróbio em um tanque de fermentação. Em um processo semelhante ao utilizado nas cervejarias, só que ao invés de alimentá-lo com açúcar, os micróbios usam CO2 como fonte de carbono e hidrogênio como fonte de energia, ainda são acrescidos no processo, minerais como cálcio, magnésio, sulfatos, fosfatos e amônia.

O hidrogênio é produzido aplicando-se eletricidade à água e obtém-se o dióxido de carbono extraindo-o do ar. Tudo isso é alimentado por energia renovável, minimizando a pegada de carbono do produto. Depois de um processo final de desidratação (à 140° C), o que que fica é um pó com cerca de 65% de proteínas, carboidratos e gorduras. Esse pó pode ser adicionado à alimentos como pão e macarrão, ou mesmo à carne à base de plantas ou substitutos lácteos. Podendo até, em uma previsão do CEO da Solar Foods, ser utilizado como fonte de proteína para carne cultivada em laboratório. De acordo com a Solar Foods, a produção de Solein é cem (100) vezes mais favorável ao clima do que a produção de carne e, 10 vezes melhor do que as proteínas de origem vegetal, além de consumir muito menos água.

Pasi Vainikka (CEO), segundo da esquerda para a direita e Juha-Pekka Pitkänen (CTO), terceiro da esquerda para a direita – © SOLAR FOODS

Produção em escala

Como toda startup, segue-se o desafio da produção em escala. Atualmente, a Solar Foods está operando uma planta piloto na Finlândia que pode produzir 1 kg por dia. Eles também estão trabalhando com a Agência Espacial Europeia (European Space Agency – ESA) para testar a viabilidade de produzir alimentos em Marte, bem como sua utilização em viagens espaciais. A produção comercial em escala é estimada para 2050.

As informações ainda são superficiais (e sigilosas), já que existe um imenso negócio por trás de todo esse desenvolvimento, mas podemos levantar algumas questões: 1) utilizar o dióxido de carbono (CO2) para produzir este tipo de alimento, sem limitar o local para essa produção (a princípio, poderia ser produzida em áreas desérticas ou mesmo geladas como nos polos), seria um avanço já que poderia liberar áreas utilizadas na agricultura e pecuária para a recuperação de florestas, por exemplo, que além da questão da preservação da fauna e flora, também sequestraria o CO2 da atmosfera; 2) o produto ainda está sendo testado para o uso humano (ainda não tem esta aprovação dos órgãos competentes) e 3) para a produção em escala, ainda não se sabe qual o real impacto em relação as emissões de CO2, já que seriam necessários enormes biorreatores (com toda a infraestrutura necessária para a operação destes).

Simulação de embalagens de produtos com a Solein – © THE INDEX PROJECT

 

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FONTE(S):

Solar Foods

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